A IGREJA COMO INSTRUMENTO FUNDAMENTAL DA CONSTRUÇÃO DE
UM ESTADO QUE PROMOVA O BEM COMUM E A JUSTIÇA.
“Perante as graves formas de injustiça social e econômica e de corrupção política, que gravam sobre povos e nações inteiras, cresce a reação indignada de muitíssimas pessoas oprimidas e humilhadas nos seus direitos humanos fundamentais e torna-se sempre mais ampla e sentida a necessidade de uma radical renovação pessoal e social capaz de assegurar justiça, solidariedade, honestidade, transparência...” João Paulo II, Encíclica Veritatis Splendor, p.152.
O Beato João Paulo II quis nos ensinar, com estas palavras, algo muito importe: O Estado tem a finalidade de proporcionar, ao seu povo, o bem comum e a justiça. Isso está acontecendo? Não. E este é o grande mal do século, mais que o terrorismo, o aquecimento global, os desastres naturais, a fome, a miséria, etc.
Antigamente tínhamos um sistema em que todo o poder do Estado estava concentrado nas mãos de uma pessoa soberana: o rei. Ele fazia as leis, condenava e absorvia as pessoas. Tudo passava pelas suas mãos, que dividia o poder com os senhores feudais que escravizava o povo em um sistema terrível onde era impossível uma mobilidade social e um desenvolvimento pessoal de forma integral. Nesta época o povo não tinha direitos, previstos na lei, como: a vida, a liberdade, a dignidade e a felicidade.
Na idade moderna surgiu uma gama de pensadores que influenciaram no desenvolvimento de sistemas menos absolutistas e mais democráticos. Surgiu os direitos fundamentais, a divisão do poder do Estado, o voto, etc. O capitalismo e o liberalismo se estruturaram e veio à ideia de que estávamos “salvos”. Muitos acreditavam que o sistema por si só garantiria a liberdade individual e cada indivíduo poderia desenvolver-se segundo a sua luta e esforço.
Isto aconteceu? Em parte sim, quer dizer, para um grupo pequeno de pessoas isso aconteceu, mas para a grande maioria, não. Quantas pessoas estão agora nas ruas, com fome, frio e, principalmente, com sua dignidade ferida? Quantos jovens vivem com medo do futuro? Quantos pais sofrem por não puderem dar oportunidade a seus filhos? Uma pesquisa baseada nessas perguntas poderia chocar a todos. Mais isso adiantaria? Não. Estamos presos ao sistema.
Existe uma solução? Sim. O Papa nos ensina: “torna-se sempre mais ampla e sentida a necessidade de uma radical renovação pessoal e social capaz de assegurar justiça, solidariedade, honestidade, transparência”. A igreja tem esse papel fundamental: ser um instrumento formacional e de instrução, iluminando a consciência das pessoas para uma vida mais justa e honesta, com liberdade e busca da uma vida fraterna e feliz, proporcionando, assim, uma concreta transformação do indivíduo e do Estado.
No Concílio Vaticano II, na carta pastoral Gaudium et Spes, está escrito: “A consciência mais aguda da dignidade humana, em um número crescente de países, suscita o desejo de instaurar uma ordem política-jurídica em que se preservem os direitos pessoais, como o de se reunir, de se associar, de opinar e de professar livremente sua religião, privada e publicamente. A proteção jurídica das pessoas é condição indispensável para que os cidadãos formem partidos capazes de participar ativamente da vida pública e do poder.”
A mudança da consciência individual gera, posteriormente, uma mudança na mentalidade social, pois o Estado é formado por pessoas e não por máquinas. É preciso uma busca individual de um saber humano, honesto, justo, solidário, fraterno e se encher de uma cultura de paz e de vida. É a instrução do povo que influenciará na mudança política e social da nação.
A igreja tem uma função social, humana e espiritual. Social no sentido de agregação das pessoas em um convívio fraterno e solidário; Humana no sentido de conscientização da liberdade, da vida, da dignidade, da justiça, enfim, dos direitos fundamentais; Espiritual no sentido de promoção da esperança, da fé e da caridade. É preciso que todos os cristãos amadureçam e vivam sua fé de forma coerente, acreditando que a mudança começa no coração e na consciência de cada um e, posteriormente, na formação de um Estado que promova o bem comum e a justiça, pois, como nos afirma o Papa João XXIII: "O bem comum consiste no conjunto de todas as condições de vida social que consistam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana". É preciso que o homem se desenvolva de forma integral, se emancipe socialmente, intelectualmente e espiritualmente, para que o mundo possa acreditar que dias melhores virão.
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Renato Padilha
Membro da comunidade Obra de Maria na faze do dicipulado.